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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Como aconselhar pessoas


Todos nós nos lembramos do contexto em que o profeta Elias é usado por Deus numa saga extremamente intensa. Após as duras perseguições promovidas pelo rei Acabe, e as experiências maravilhosas do suprimento de Deus para suas necessidades básicas, seja por meio de corvos (1Rs 17.1 7) ou de uma viúva (1Rs 17.8-24), Elias se apresenta perante o rei, enfrenta os profetas de Baal, é ameaçado por Jezabel, a esposa do rei, e foge para Horebe, em meio a uma crise existencial de grandes proporções, a ponto de pedir para si a morte.

O texto adotado como básico para nossa lição de hoje ilustra bem o processo de aconselhamento e as cinco etapas apresentadas por Gary Collins para nos ajudarem no trabalho de apoio às pessoas. Embora seja um texto bastante conhecido, e muito explorado quando se trata de problemas em aconselhamento cristão (especialmente quando se trata de depressão), ele será usado porque a maneira adotada pelo próprio Senhor Deus nos dá uma perspectiva muito interessante do ponto de vista do conselheiro – e esse é o tema de nossa lição.


I. Conexão (1Rs 19.1-8)

A primeira disposição de Elias é para fugir e morrer. O primeiro passo para a ajuda era dar a ele a oportunidade de fugir, renovar as energias básicas, e encontrar disposição para ir ao encontro do conselheiro (nesse caso, o próprio Deus). Ele precisava de sono, alimento e forças para tomar a iniciativa no processo de restauração. Deus providenciou as condições básicas para que isso acontecesse.

O primeiro e grande desafio em aconselhamento acontece na etapa que Collins chama de “conexão”, ou seja, a criação de laços entre o conselheiro e o aconselhado com o objetivo de estabelecer um programa de ajuda (aconselhamento). 

Não há aconselhamento eficaz sem um claro ponto de contato que inclua disponibilidade por parte do ajudador, disposição por parte do ajudado, e confiança entre ambos.

Em nossos momentos de dificuldades, precisamos de uma igreja onde exista um grupo confiável e com disponibilidade para nos atender. Isso pode ser feito por meio de um pastor com habilidade para aconselhamento, ou por um grupo de 

ajudadores treinados e disponíveis, devidamente orientados por um líder preparado. É importante que exista uma agenda (horários e locais dedicados para atendimento) e que as pessoas destacadas para esse ministério sejam a tal ponto confiáveis que os crentes não hesitem em procurá-las. 

Geralmente não funciona aconselhamento em que o conselheiro tenta “forçar a barra” e “arrancar” emoções das pessoas. Elas precisam primeiramente ver algo no ambiente e nas pessoas que lhes faça acreditar na possibilidade de dar alguns passos, e então iniciar o processo.


II. Exploração (1Rs 19.9-11)

Assim que o contato foi feito, o maravilhoso Conselheiro deu a Elias oportunidade para abrir o coração, expor suas frustrações e ansiedades, e experimentar cura (mesmo que isso tenha acontecido em uma caverna, um lugar estranho, mas onde o aconselhado sentia alguma segurança e estava suficientemente alimentado e fortalecido para iniciar um programa de aconselhamento).

Essa fase, chamada de “exploração”, acontece geralmente quando o conselheiro tem habilidade para fazer as perguntas adequadas e ouvir o aconselhado de modo efetivo e eficaz. Às vezes, no aconselhamento faltam perguntas; há casos em que as perguntas apenas dispersam a atenção que deveria ser dada ao problema, ou evitam o problema em si para entrar em uma divagação sem fim; há, ainda, casos em que as perguntas invadem a privacidade das pessoas, ou são ofensivas, inadequadas a um processo que tem por obrigação respeitar a pessoa do aconselhado. Fazer perguntas certas é uma arte! Há uma frase que incentiva a pessoa a começar a falar do seu problema e há uma pergunta que a ajudará a expor algo que tenha sido deixado de lado. Esta é uma orientação útil para todo conselheiro.

1. Fale-me um pouco sobre o que está acontecendo.

2. Há algo mais que você deseja falar? 

Não ajuda muito saber fazer perguntas que demonstrem interesse pela pessoa que está sendo ajudada, se não sabemos ouvir. Todos nós devemos ser “tardios para falar e prontos para ouvir”, e em aconselhamento, isso é fundamental. Saber ouvir inclui dar atenção total à pessoa, sem qualquer reserva para cuidarmos ou pensarmos em outras coisas. Por isso é tão importante separar um local e um momento adequados para aconselhamento (onde não haja interrupção por telefone, filhos, ou outros elementos estranhos ao aconselhamento). Além do tempo e do local, temos que dedicar o corpo (inclusive, literalmente, a postura corporal) e a mente para ouvir, refletir, considerar com a pessoa, dar toda e absoluta atenção.


III. Planejamento (1Rs 19.12-18)

A etapa seguinte no programa de aconselhamento adotado pelo Senhor com Elias incluiu um plano de ação que partia da situação de sofrimento em que o aconselhado se encontrava e seguia até o encerramento do caso. Havia dois elementos importantes na palavra do Senhor, nosso modelo de conselheiro.

1. Havia uma proposta de ação.

2. Havia esperança (“luz no fim do túnel”). 

Elias precisava saber que a situação em que se encontrava não era definitiva, que havia tarefas a serem executadas por ele próprio (e não pelo Senhor!), e que havia mais recursos do que os que ele via no meio de sua crise existencial.

Ao final do primeiro encontro (em alguns casos, pode ser no segundo ou terceiro), conselheiro e aconselhado precisam fazer um planejamento para o projeto de ajuda. É verdade que muitas pessoas adotam “análise” como um estilo de vida (para sempre dependentes do psicanalista...), mas no aconselhamento cristão, devemos ter noção de princípio, meio e fim do programa de ajuda. Em alguns casos, isso significa quase fazer um contrato: o que cada parte vai fazer, quando e onde vão se encontrar, quantos encontros são planejados, qual é a responsabilidade de cada um, e assim por diante.

O ajudador não é o “sabe-tudo”, que tem que resolver os problemas do que está sendo ajudado. Ele se serve de sua experiência pessoal, do fato de estar pessoalmente mais saudável, capaz de olhar o problema objetivamente (menos envolvido 

emocionalmente) e capaz de encontrar com o outro as alternativas para um plano de ação. Geralmente, as pessoas que enfrentam dificuldades emocionais ficam “travadas” e perdem muito da capacidade de criatividade. Além disso, elas ficam desanimadas e não acreditam que possam existir saídas para o problema. Na maioria dos casos, a pergunta básica a ser feita é: “o que você acha que podemos fazer para solucionar esse problema?”, e depois, então, se pergunta: “que posso fazer para ajudá-lo nesse esforço que você está fazendo?”. Feito isso, cabe ao conselheiro manter o ânimo, oferecer encorajamento, ajudar o aconselhado a acreditar no futuro...


IV. Desenvolvimento (1Rs 19.19-21)

Quando Elias recebeu um plano e retomou a esperança a partir das informações dadas pelo próprio Deus, então chegou o momento de agir. E ele agiu! Era preciso fazer meia-volta, encontrar pessoas-chave, enfrentar desafios e situações de perigo, encontrar ajuda adequada, e transformar planos em realidade. A tarefa envolvia um grande esforço físico, desgaste emocional e muita fé. Havia riscos já calculados, e não haveria mais como voltar.

Sempre é bom orar, abrir o coração e até chorar diante do Senhor. É bom ter visões e ouvir o Senhor, seja no meio de um terremoto, no fogo consumidor ou num vento calmo e tranquilo, mas isso só não basta para a solução de problemas. É preciso agir, obedecer ao Senhor, e pagar o preço para uma mudança radical. Percebe-se que o fato de Elias ter passado pelo que chamamos de “depressão” funciona quase que como um consolo para nós, mas precisamos saber que ele não ficou deprimido para sempre... para sair da depressão houve ação – firme, corajosa e persistente, devidamente orientada pelo Senhor.

Após o(s) encontro(s) de planejamento, os outros encontros de aconselhamento têm algumas finalidades bem definidas. 

1. Verificar que o aconselhado está agindo como foi planejado.

2. Perceber juntos eventuais mudanças no curso de ação.

3. Encorajar e orientar o aconselhado para os próximos passos que serão dados.

4. Orar juntos pela ajuda e direção de Deus no processo. 

Há casos em que o planejamento prevê um determinado número de encontros, e na medida em que o problema está sendo solucionado, verifica-se que há necessidade de mais ou menos tempo. Todavia, os encontros de aconselhamento não podem se constituir apenas em “jogar conversa fora”, ou muita “choradeira”. Essa é uma etapa (desenvolvimento) de muito trabalho e ação firme para que juntos, conselheiro e aconselhado, possam encontrar esperança e caminhos adequados para o sucesso do aconselhamento. 


V. Encerramento

A vida e o ministério de Elias não acabam no meio do problema depressivo, e o aconselhamento não permanece em cena eternamente. 1Reis 20 muda o assunto, segue adiante com a história, e “a vida continua”. Elias também muda a página da história de sua vida e segue seu ministério de profeta. Ele não “era” um doente ou um problemático, mas apenas “estava” com problema e precisava de ajuda. 

Ajudar pessoas significa reconhecer que elas são capazes, e que suas histórias de vida são anteriores e posteriores aos problemas que eventualmente enfrentam. 

Como lembrado no livro Aconselhamento Cristão, “com o tempo, conselheiro e aconselhado observam que a relação construída para resolver problemas já não é tão profunda quanto antes. Pode haver uma discussão sobre o que o aconselhando pode fazer para enfrentar novas situações adversas. Depois disso, deve ficar claro que, se houver necessidade de outros aconselhamentos no futuro, a porta estará sempre aberta” (Collins, pág. 53).

O aconselhamento cristão não deve criar um relacionamento de dependência, mesmo que todos nós entendamos o papel da interdependência natural no corpo de Cristo. Trabalhamos para a “libertação” das pessoas, e não para mantê-las presas num programa sem fim. Além disso, o aconselhamento não pode ser “abandonado”, mas deve ser concluído. Assim como precisamos de um trabalho adequado para iniciar um programa de aconselhamento, também precisamos concluir um programa de ajuda com sabedoria, lucidez e correção.


Conclusão

Estudar o processo de como aconselhar pessoas nos coloca inevitavelmente no estudo acerca das qualidades do conselheiro cristão. Basta seguir os passos apresentados e veremos como as coisas acontecem.

1. Conexão. Para possibilitar a “conexão”, o conselheiro deve ser alguém confiável, alguém com autoridade espiritual, e alguém aberto (disponível) para as pessoas. 

2. Exploração. Se desejamos fazer uma boa “exploração”, o conselheiro deve ser alguém capaz de ouvir, ser totalmente ético (alguém que não fala para os outros o que lhe é confidenciado), paciente e capaz de analisar informações. 

3. Planejamento. Quando se trabalha em “planejamento”, o conselheiro precisa ser alguém com visão ampla, capaz de perceber o que acontece em volta do problema que está sendo tratado, hábil para sugerir planos e construir projetos com o aconselhado, sem impor ideias e com o máximo respeito pela pessoa. 

4. Desenvolvimento. O “desenvolvimento” acontece quando o conselheiro é capaz de fazer acompanhamento, sabe cobrar o cumprimento de tarefas sem ofender e sem enfraquecer o processo. Embora o aconselhado seja a pessoa interessada (e por isso deveria tomar a iniciativa e ser perseverante), devemos saber que o conselheiro, pelo menos na teoria, é a pessoa que passa por um momento saudável, e deveria estar pronta para se tornar o pilar principal nesse relacionamento.

5. Encerramento. O “encerramento” depende de um conselheiro maduro e lúcido, pronto para fazer uma avaliação adequada para “liberar” o aconselhado e “dar alta”... 

O conselheiro deve ser capaz de “fechar a conta”, e abrir portas a um acompanhamento posterior, na medida certa e da maneira correta.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Como vencer vícios e compulsões


Pesquisas de relacionamentos confirmam que o viciado e o compulsivo, pelos seus desvarios, fecham a porta aos seus amigos e familiares e, assim, cada vez mais se distanciam de si mesmos e de quem os possa ajudar. Seu desespero é constante. O vício é um dos maiores problemas que as pessoas enfrentam hoje em dia. De igual modo, existe a compulsão, que é a tendência à repetição, impulso ou sensação de estar sendo levado, irresistivelmente, a executar alguma ação irracional.

O dicionário da língua portuguesa define o vício como qualquer prática de atos repetitivos, difícil ou impossível de controlar, tanto no aspecto psicológico quanto físico, atos geralmente prejudiciais ou moralmente censuráveis. Vício é um costume condenável; um desregramento habitual; libertinagem, licenciosidade, devassidão. “O homem desprezível cava o mal, e nos seus lábios há como que fogo ardente”(Pv 16.27).

A dependência do vício ou do comportamento compulsivo é provocada por diversos fatores e influências, dos quais os mais comuns são: aqueles vistos dentro de casa, na vida dos próprios pais ou irmãos; as pressões de amigos; as influências sociais; o ambiente étnico-cultural; o fator fisiológico (constituição física); o estresse, entre outros. A dependência do vício pode ser provocada pelo simples uso ocasional de certas substâncias por qualquer pessoa (caso da morfina indicada no tratamento médico).

Os vícios e compulsões são manipuladores tenazes que reduzem o homem à mais profunda miséria moral, com prejuízo para o corpo físico. São inimigos terríveis que destroem tudo à sua passagem. Depois de fascinar e escravizar o homem, minam suas forças até limites inimagináveis. “Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo, que está em vocês e que vocês receberam de Deus, e que vocês não pertencem a vocês mesmos?” (1Co 6.19).

Vícios e compulsões não são iguais no que se refere ao potencial de provocar danos. No entanto, envolvem alterações de comportamento, deterioração física, estresse familiar, problemas financeiros, destruição da carreira profissional e crescente desintegração psicológica.

Para um melhor aproveitamento deste assunto, recorremos às considerações do Dr. Gary Collins, no capítulo 33 do seu livro.


I. A Bíblia condena expressamente o vício

As Escrituras reprovam qualquer prática que resulte em prejuízo para o corpo físico. Uma vez que os vícios ou qualquer comportamento compulsivo do indivíduo lhe são prejudiciais, são também condenáveis pela Bíblia. “Não se junte com os beberrões nem com os comilões, porque os beberrões e os comilões acabam na pobreza, e a sonolência os levará a vestir trapos.” (Pv 23.20-21)

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1. Não se deixe escravizar por coisa alguma (1Co 6.12-20; 7.23)

Qualquer tipo de comportamento que não se consegue controlar (dominar) é condenado pelas Escrituras por escravizar o homem. Todo vício e compulsão têm sua origem na mente da pessoa. Trata-se de um pensamento compulsivo, independente da motivação inicial, deixando o indivíduo vulnerável às tentações, que o levam ao pecado. “Que o ímpio abandone o seu mau caminho, e o homem mau, os seus pensamentos” (Is 55.7).


2. Não contamine o templo do Espírito que é o seu corpo (1Co 6.18-20; Rm 6.16; 12.1-2)

O indivíduo salvo da condenação eterna foi comprado pela graça de Cristo e a Ele pertence, pela criação e pela redenção. Portanto, é dever do cristão glorificar a Deus com todo o seu ser, rejeitando todo tipo de vício, como: glutonaria, linguagem obscena, ganância, luxúria, alcoolismo, tabagismo, drogas, o mau uso da televisão ou da internet, imoralidade sexual, trabalho excessivo, exercícios físicos exagerados, jogos de azar, fanatismo religioso, entre outros. Paulo exortou assim os cristãos em Roma: “Também não ofereçam os membros do corpo ao pecado, como instrumentos de injustiça, mas, como pessoas que passaram da morte para a vida, ofereçam a si mesmos a Deus e ofereçam os seus membros a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado não terá domínio sobre vocês, pois vocês não estão debaixo da lei, e sim da graça” (Rm 6.13-14).



3. Não considere a ideia do beber socialmente (Pv 20.1; 23.29-35-BLH; 1Co 5.11; 6.9-10; Gl 5.21; Ef 5.18)

A embriaguez é clara e explicitamente condenada na Bíblia, que a classifica como pecado. Portanto, não devemos nos envolver com a bebida, nem nos deixar viciar por ela. Estatisticamente o álcool é considerado a principal porta de entrada para todos os demais vícios e, também, a maior causa de morte por acidente de trânsito, homicídio e violência familiar. “O vinho é zombador, e a bebida forte causa alvoroço; todo aquele que por eles é vencido não é sábio” (Pv 20.1). Tudo começa com o primeiro gole. Portanto, a prevenção ainda é o melhor remédio. “O prudente vê o mal e se esconde; mas os ingênuos seguem em frente e sofrem as consequências” (Pv 27.12).


4. Vícios não servem de muletas para inocentar o culpado (Rm 13.1-5)

Não pratique o que é mal perante a lei. A Bíblia nos instrui a sermos cidadãos cumpridores da lei. Um indivíduo que comete um delito não é inocentado pela Bíblia pelo fato de ser um viciado. “Pois a autoridade é ministro de Deus para o seu bem. Mas, se você fizer o mal, então tenha medo, porque não é sem motivo que a autoridade traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar quem pratica o mal” (Rm 13.4).


5. Vícios não resolvem problemas nem reduzem tensões (Mt 11.28; 1Pe 5.7)

Pessoas buscam no vício um escape para o estresse. No entanto, após aparente alívio, o vício fomenta ainda mais o desequilíbrio das suas capacidades orgânicas. Invariavelmente, o vício oferece um prazer que dura pouco, mas pode deixar sequelas, consequências profundas e duradouras e, por vezes, irreversíveis na saúde e no bem-estar do indivíduo. Para o viciado, o prazer é transitório e o sofrimento, duradouro; contudo mesmo consciente desta funesta realidade, na maioria dos casos, o viciado é incapaz de deixar o vício. Poucos vão se apropriar da dádiva que o próprio Jesus oferece: “Venham a mim todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso” (Mt 11.28 NTLH).


II. Alguns vícios e suas principais causas

Considerando a realidade do contexto do mundo no qual vivemos, onde a inversão de valores tem permeado até os lares cristãos e, não poucas vezes, invadido as igrejas, é essencial tomarmos consciência dos perigos que estão batendo à nossa porta.

Naturalmente, não é possível numa única lição estudarmos tão relevante assunto, considerando à exaustão cada uma das suas maléficas implicações ao homem. Vícios e compulsões não são novidades e não estão restritos a culturas ou épocas específicas. Trataremos a seguir de alguns tipos e suas causas.


1. Vícios mais comuns

Substâncias químicas (álcool e outras drogas ilícitas) – O termo droga é comumente empregado para produtos alucinógenos ou substâncias tóxicas que levam à dependência. As drogas psicoativas são substâncias naturais ou sintéticas que, ao serem consumidas, independente da forma (ingeridas, injetadas, inaladas ou absorvidas pela pele), entram na corrente sanguínea e atingem o cérebro, alterando seu equilíbrio, podendo levar o usuário a reações agressivas ou de alienação. Listamos algumas drogas para fins de informação: tabaco, maconha, ecstasy, cocaína, craque, anfetaminas, ansiolíticos, barbitúrios e cafeína.

Quando uma pessoa percebe que por causa do uso dessas drogas está enfrentando problemas na vida familiar, social, profissional ou espiritual e, mesmo assim, não consegue deixar a droga, essa pessoa está dependente psicologicamente da droga. Se, além disso, a pessoa se sente fisicamente doente quando a droga é retirada, então, existe, também, a dependência física.

Transtornos alimentares – Vícios e compulsões também aparecem como transtornos alimentares, sendo os mais comuns: obesidade, anorexia nervosa (redução ou perda do apetite) e bulimia (ingestão excessiva de alimentos com vômitos auto provocados em seguida). Algumas características comuns dos que sofrem desses transtornos alimentares são: o perfeccionismo; a baixa autoestima; a confusão de identidade sexual; a depressão; o engodo (engano); o relacionamento familiar problemático, etc.

Os transtornos alimentares geralmente são reflexo de problemas num nível profundo e, quase sempre, o nível mais profundo é o espiritual. Vale destacar também a importância da assistência de profissionais especializados. Melhores resultados são alcançados quando há mudança para um estilo de vida mais saudável, incorporando princípios da boa nutrição e um programa de exercícios físicos regulares.

Comportamentos compulsivos – A dependência química e os transtornos alimentares são os vícios que mais merecem a atenção da mídia e de publicações específicas. Mas há milhares de pessoas que lutam com compulsões menos comuns, sendo que muitas delas não têm causas físicas ou emocionais aparentes e, talvez por isso, são mais difíceis de serem tratadas. Têm sua origem nos exageros e descontroles praticados no trabalho, na busca pelo poder, nos exercícios físicos, na prática do sexo, no jogo, nos esportes radicais, na alimentação (chocolate, café, refrigerante...), entre outros, que caracterizam um comportamento compulsivo com potencial de provocar sérios danos ao indivíduo. Inegavelmente, a decisão pessoal de querer mudar, associada a uma estratégia adequada é um caminho eficaz na cura desses desvios comportamentais. “Somente um homem muito tolo, tão tolo que nem consegue encontrar o caminho de casa, se esgota de tanto trabalhar” (Ec 10.15 NTLH).


2. Causas mais comuns

Pesquisas apontam que os principais motivos que levam um indivíduo às drogas são: mau exemplo dentro de casa; desejo de fuga devido à desestruturação familiar (em especial à ausência da figura do pai em casa); timidez e falta de coragem (para tomar uma atitude que, sem o uso de tais substâncias, não tomaria); dificuldade em enfrentar ou aguentar situações difíceis e estressantes; busca por sensações de prazer; influências sociais; pressões dos amigos; desinformação quanto à gravidade das consequências, entre outros. Há, também que considerar outros aspectos, tais como: a curiosidade do indivíduo; questões fisiológicas; fatores emocionais e psicológicos. “Dizendo que eram sábios, se tornaram tolos e trocaram a glória do Deus incorruptível por imagens semelhantes ao ser humano... Por isso, Deus os entregou à impureza, pelos desejos do coração deles, para desonrarem o seu corpo entre si.” (Rm 1.22-24).


III. Como enfrentar o vício e os atos compulsivos (Jo 16.7-15; Gl 5.22-23)

São imensuráveis as perdas provocadas pelo vício em todos os segmentos da sociedade. Estatísticas revelam a diminuição dos padrões da dignidade humana por conta dos vícios e dependências de toda sorte. O indivíduo caminha para a destruição da própria vida e da vida de seus semelhantes, produz em si mesmo lesões físicas, emocionais e espirituais, desalento, tristeza, desânimo, desesperança, etc. Dura realidade! Por essa razão, Deus nos deu do Seu próprio Espírito, para que Nele toda artimanha de Satanás seja destruída. É imperativo crer nessa verdade. Só o Espírito Santo de Deus tem pleno poder para o que veremos a seguir.


1. Convencer do pecado

O convencimento do pecado é atribuição do Espírito Santo (Jo 16.8). Só o Espírito pode capacitar o homem a se arrepender dos seus vícios e pecados (Jo 8.34-36) e abrir-lhe os olhos da alma para que veja o seu caminho errado, o seu estado de perdição, e arrependa-se dos seus pecados, abandonando as trevas (1Pe 2.9).


2. Regenerar o homem 

No ato do convencimento do pecado ocorre, também, a mudança da natureza humana, tornando-o uma pessoa nova em Cristo, liberta de qualquer tipo de vícios: “Se alguém está em Cristo, nova criatura é” (2Co 5.17). “Porque Deus é quem efetua em vocês tanto o querer como o realizar”(Fp 2.13).


3. Dar ao homem domínio próprio

Jesus declarou: “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade” (Jo 16.13). O homem guiado pelo Espírito é capacitado para dominar seus próprios desejos: “O desejo dele será contra você, mas é necessário que você o domine” (Gn 4.7).“Mas o fruto do Espírito é... domínio próprio” (Gl 5.23).


4. Satisfazer o vazio existencial do homem

“...e (o Espírito) anunciará a vocês as coisas que estão para acontecer” (Jo 16.13). A pessoa passa a ser satisfeita em Cristo, não necessitando de recorrer aos vícios. Quando o pecado tirou o homem da presença de Deus, produziu esse vazio e o fez perder a noção dos propósitos divinos para a sua existência.


5. Desenvolver no homem o caráter de Cristo

Entre os anúncios do Espírito (Jo 16.13), está o aperfeiçoamento do homem até alcançar a maturidade espiritual - uma direção oposta àquela fomentada pelos vícios e compulsões. É através da iluminação do Espírito Santo que o homem é levado a buscar a pureza e a santidade de Cristo. Faz parte dos propósitos eternos de Deus o desenvolvimento do caráter de Cristo nos salvos, até que a imagem de Cristo seja vista Neles: “também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29).


Conclusão

Infelizmente, uma multidão de pessoas está escravizada pelo vício. Muitas alcançarão a liberdade, outras não. Talvez algumas delas estejam mais perto de nós do que imaginamos. Ajudá-las a vencer esses desvios de comportamento é um dos maiores e mais importantes desafios que temos. Contudo é bom considerar que o tratamento a viciados ou compulsivos não deve prescindir de um acompanhamento médico simultâneo. Sobretudo é preciso reconhecer a necessidade da ação divina para sua efetiva libertação. A pessoa deve ser ajudada a confiar sua vida a Deus, entregando-se ao controle e à direção do Espírito Santo.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Inferioridade e baixa autoestima


Somos o que pensamos? Em grande parte sim. A Bíblia afirma que o coração, isto é, a nossa mente, é a parte do nosso ser que deve ser guardada com mais cuidado (Pv 4.23). Quando pensamos em relacionamentos, não podemos separar as três áreas que devemos cuidar, que influenciam umas às outras, e que são: meu relacionamento com Deus, com o próximo e comigo mesmo.

Como salvos em Cristo, precisamos aprender a nos ver como novas criaturas, valiosas para Deus, capazes e dignas do Seu amor. Não podemos nos esquecer de que somos pecadores, de que temos que deixar o egocentrismo, mas reconhecemos que somos remidos pela graça de Deus e que compomos o corpo de Cristo.

Aceitarmo-nos como Seus filhos nos ajuda a ver-nos com a ótica de Deus. O relato da criação do homem é o primeiro texto bíblico que precisamos examinar (Gn 1.27). Nele está escrito que fomos feitos à imagem de Deus. Se tivéssemos apenas esse texto nas Escrituras, já seria suficiente para não desvalorizar nenhum ser humano.

Estudaremos, a seguir, sobre a autoestima e quanto ela influencia a vida de cada um de nós.


I. O que autoestima não é

Estabeleçamos, primeiramente, o conceito de autoestima. Para melhor compreensão, partiremos do que a autoestima não é:

1. ter excessivo orgulho de ser quem eu sou;

2. valorizar exageradamente minhas qualidades;

3. atentar contra a teologia da autonegação;

4. considerar-me o centro do mundo. 

Essas quatro atitudes, dentre outras, podem ser confundidas com autoestima elevada. Se forem tomadas como verdadeiras, realmente não estão adequadas para a vida do crente.

A autoestima é um sentimento ligado à maneira como me vejo. Para o cristão, a autoestima está baseada no caminho de Deus revelado em Sua palavra. Segundo o Dicionário Houaiss, “autoestima é a qualidade de quem se valoriza, se contenta com seu modo de ser e demonstra, consequentemente, confiança em seus atos e julgamentos”.


Você entende o valor de sua vida em Cristo? Você sabe o seu lugar e importância na implantação do reino de Deus na Terra?


II. O que é autoestima e como lidar com ela

A chave para a autoestima é o equilíbrio. Toda vez que alguém se supervalorizar ou inferiorizar sofrerá consequências indesejáveis na vida.

Saul é um exemplo de desequilíbrio de autoestima. Deus anunciou, através de Samuel, que enviaria um homem para que fosse ungido rei (1Sm 9.15-20). Saul foi ungido (1Sm 10), mas durante a cerimônia, quando foram procurar Saul, ele estava escondido no meio da bagagem e não saiu sozinho, mas alguém o tirou de lá. A baixa autoestima pode parecer timidez, mas, na verdade, é incredulidade no que Deus pode fazer. Apesar do fato de, no início, Saul ter se sentido incapaz para tamanho encargo, a história mostra que o poder subiu-lhe à cabeça e seu fim foi triste. A trajetória de Saul mostra uma pessoa desequilibrada emocionalmente, insegura (baixa autoestima), ciumenta e invejosa.

Deus, por meio de Paulo, ensina como devemos pensar a nosso respeito (Rm 12.3). A palavra moderação, além da ideia de autocontrole, traz também a ideia de equilíbrio, ou seja, capacidade de manter sua identidade no meio das lutas ou das vitórias, sob elogios ou críticas, em vantagem ou desvantagem.

Manter nossa autoestima equilibrada depende de sempre lembrar destes princípios bíblicos e agir de acordo com eles. Cada um deles combate uma das causas de desequilíbrio da autoestima. Em Romanos 12.3, aprendemos que vencer o orgulho e reconhecer que recebemos talentos de Deus ajuda-nos a equilibrar nossa visão a respeito de quem somos. 


Vejamos mais alguns textos:

1. cuidar do conteúdo com o qual enchemos nossa mente (Fp 4.8-9);

2. obedecer à lei resumida por Jesus (Lc 10.27);

3. reconhecer que toda boa dádiva vem do Senhor e não de nossos esforços isolados (Tg 1.17);

4. lembrar que todos estamos em processo de crescimento no Senhor e que, para isso, recebemos a capacidade Dele (Fp 2.13; Tg 1.5).


Se você pudesse fazer um teste, como acha que estaria sua autoestima? Quais desses princípios bíblicos você tem aplicado em sua vida e em quais precisa de ajuda?


III. Como ajudar outros com a sua autoestima 

Aquele que for aconselhar uma pessoa com baixa autoestima não pode estar na mesma situação que ela. Sua visão de si mesmo deve estar equilibrada para que possa ajudar a outrem.

Alguns passos concretos são importantes se quisermos ajudar efetivamente.


1. Conceito bíblico 

Apresentar o conceito bíblico de uma boa autoestima.


2. Autoavaliação

Tornar mais prático o processo de pensar moderadamente sobre si. Peça à pessoa que faça uma lista de aspectos que ela considera negativos e positivos em si mesma. Ajude-a a avaliar honestamente o que escreveu.


3. Perdão

Exercitar o perdão e também o sentir-se perdoado. João ensina a respeito dos efeitos da confissão (1Jo 1.9). Ter paciência, já que os conceitos errados que alguém tem de si mesmo, tanto espirituais quanto emocionais, foram formados ao longo de muito tempo.


4. Mostrar atitudes práticas

Vencer o espírito excessivamente crítico e negativo.

Respeitar, reconhecer e elogiar as pessoas sem se sentir menos ou mais do que elas. Para que trabalhemos bem com uma pessoa, devemos respeitá-la e reconhecer seu valor.

Aplicar os ensinamentos bíblicos em todos os setores da vida.

Cultivar amizades sinceras que possam ajudá-la em seu desenvolvimento. Pessoas que elogiam e criticam amorosamente, quando necessário, ajudarão em seu desenvolvimento pessoal.

Agir como pais, professores e líderes de acordo com a palavra de Deus, sendo companheiros e guias daqueles que lhes foram confiados como discípulos (1Pe 5.1-3).


Você já foi ajudado por alguém na igreja a respeito da sua autoestima? Você pode listar pelo menos dois amigos que poderiam ajudá-lo nessa questão?


Conclusão

A igreja não tem apenas o papel curativo, mas também preventivo para muitos dos problemas humanos. É importante que no Ministério de Ensino da igreja haja o cuidado de incluir estudos no âmbito dos problemas psicológicos, desde que haja pessoas preparadas para tanto. Caso não haja, convidar irmãos qualificados nessa área ajudará a muitos.

Em nossa vida pessoal, devemos perguntar como nos vemos e o que precisamos adequar à realidade em que vivemos. Além disso, pedir a Deus graça a respeito de nossas atitudes em relação àqueles sobre os quais temos influência na formação de sua autoestima: filhos, netos, sobrinhos, alunos, etc.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Como controlar a ira


Não é fácil definir indignação, ira, cólera ou fúria, entretanto, sabemos bem o que esses sentimentos produzem. Seja qual for a forma de expressão ou o motivo que provoque essas reações, sabemos que é preciso dominá-las antes que elas nos dominem.

Tendo como base o versículo-chave, a pergunta que buscaremos responder neste estudo é: “Será que existe alguma situação adequada e uma maneira apropriada de expressarmos esse tipo de emoção, sem incorrermos em pecado? Como ficarmos irados sem pecar?”


I. A ira tolerada

Admite-se que a ira é uma reação normal, que pode ser tolerada e, às vezes, até justificada, não sendo essencialmente pecaminosa. O apóstolo Paulo reconheceu isso ao dizer que você pode irar-se, desde que não cometa pecado. Nós sabemos que até mesmo Jesus teve momentos de indignação, tendo manifestado essa reação sem cair na iniquidade (Mc 3.5; Jo 2.14-17). Não só o Filho, mas também o Pai tem manifestado a ira, na forma de uma justa indignação contra o pecado (Rm 1.18) e contra os filhos da desobediência (Ef 5.6; Cl 3.5-6). Mas, apesar de toda essa aparente permissão, temos que reconhecer que a ira de Deus é perfeitamente justa e justificável, enquanto a ira humana é quase sempre injusta e injustificável – “Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Tg 1.20; Rm 12.19; Gl 5.19-21).


1. O motivo da ira precisa ser justo

Não devemos encorajar esse tipo de sentimento, mas algumas situações parecem realmente merecer algum grau de indignação da parte de um servo de Deus.

Será que Moisés deveria ficar indiferente quando desceu do Sinai (Êx 32.1-10) e encontrou Israel mergulhado em promiscuidade e idolatria? Ele “ferveu de raiva” diante do insulto contra o Senhor. Atirar as placas ao chão foi uma reação de ira, mas Deus não o repreendeu por isso.

Devemos ficar indiferentes diante de uma flagrante injustiça cometida contra um inocente, um idoso, um indefeso, uma grávida, uma criança, um deficiente?

Devemos ficar indiferentes ao vermos o Santo Nome do Senhor ser enlameado, desonrado, ridicularizado, blasfemado?

Devemos ficar indiferentes e em silêncio quando presenciamos atos vergonhosos, maldosos ou violentos sendo cometidos contra os justos, quando os crentes são difamados, quando a igreja do Senhor se torna alvo de caluniadores?

Há momentos em que a ira até se justifica, mas o que mostrará se valeu a pena ou não vai ser o resultado dela. Promoveu justiça ou retaliação? Provocou mudança ou criou confusão? Houve acerto ou destruição?


2. A ira precisa gerar uma conduta adequada

O furor destemperado de um momento de cólera é capaz de perturbar nosso julgamento e nos levar para além dos limites da razão. Se a indignação não se expressar na forma de uma exortação saudável e restauradora, é melhor contê-la antes que falemos o que não devemos ou façamos o que não podemos. Há pessoas que não conseguem se controlar emocionalmente e demonstram fisicamente seu estado de indignação, de ira, através da agressão verbal ou física. Isso torna-se uma brecha para que o Inimigo coloque o que há de pior em seu coração (Pv 16.21; 14.17; 29.22).


3. A ira deve ser mantida sob controle

Em circunstância alguma o domínio próprio deveria ser sacrificado em nome da emoção: “eu não me deixarei dominar por nenhuma delas”, inclusive pela ira (1Co 6.12). Precisamos aprender a ser “pronto para ouvir, tardio para ficar irado” (Tg 1.19). Assim, evitaremos muitas situações constrangedoras e conflitos desnecessários.


Testando o seu controle  (domínio próprio) 

O que você diz quando está irado? Diz palavras ofensivas, explode em linguajar torpe, lança acusações e ameaças contra aquele(a) que irritou você? (Mt 5.22).


O que você faz quando está irado? Busca a vingança, paga na “mesma moeda”, parte para a briga, “põe o dedo na ferida”, expõe “os podres” e as fraquezas de quem o irritou (Pv 29.22)?


O que você sente quando está irado? Você se sente no direito de julgar a todos, inclusive os atos de Deus? Davi cometeu essa tolice ao indignar-se contra uma decisão de Deus (2Sm 6.6-8). Melhor exemplo deixou Jó que, mesmo sofrendo “não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma” (Jó 1.22).


Muitos acham que a “explosão emocional” é só uma questão de temperamento, quando na verdade se trata de um terrível defeito de caráter. Para um crente consagrado, o que vale é o mandamento apostólico: “Que não haja no meio de vocês qualquer amargura, indignação, ira, gritaria e blasfêmia, bem como qualquer maldade.” (Ef 4.31). (Veja também Cl 3.8).


II. A ira condenada

Embora tenhamos na recomendação de Paulo (Ef 4.26) uma aparente tolerância à indignação: “Fiquem irados e não pequem.”, é bom lembrarmos que seu conselho não para aí: “não deixem que o sol se ponha sobre a ira de vocês”. A orientação é para que não deixemos que um breve momento de ira se transforme em uma animosidade permanente. A Bíblia não ensina a agirmos contra o nosso próximo, seja de que modo for. Pelo contrário, somos exortados a tirar qualquer tipo de sentimento negativo de nosso coração, pois a linha divisória entre a ira justa e a conduta pecaminosa é muito tênue. O melhor mesmo é seguir o conselho de Davi: “deixe a ira, abandone o furor; não se irrite; certamente, isso acabará mal” (Sl 37.8).


Sugerimos alternativas que nos ajudam a conter os efeitos da ira em nosso viver.


1. Não deixe para amanhã o que pode resolver hoje

Quem cultiva hoje sentimentos negativos em seu coração, em lugar de esclarecer os fatos, pode colher inimizade amanhã: “Controle sempre o seu gênio; é tolice alimentar o ódio” (Ec 7.9 NTLH). Saul se deixou levar pelo ciúme que a popularidade de Davi provocou em seu ser ao perceber que ofuscava sua fama (1Sm 18.8-11). Ele permitiu que o sol se pusesse por muitos dias sobre a sua irritação, deixando crescer a raiz de amargura, a ponto de fazer florescer uma indisfarçável disposição de guerrear contra seu próprio genro e contra qualquer um que se fizesse amigo Dele (1Sm 20.30).


2. Não provoque

Se existe uma ocasião em que precisamos agir com tato e diplomacia, é quando se está lidando com alguém de temperamento violento e pouca paciência. Falar com ele em tom de dura reprovação é provocá-lo. Por isso, com toda prudência e respeito, procure resolver sua questão, de preferência o mais rápido possível, antes que aquele que já está furioso se volte contra você. 


3. Não se torne uma pessoa inconveniente

Há aqueles que têm prazer em irritar os outros com palavras desagradáveis, com brincadeiras inconvenientes. Se você age assim, procure mudar seu comportamento. E se você for vítima desse tipo de aborrecimento, não lhe dê atenção, pois brigar de nada adianta. Simei foi um súdito inconveniente, que insultou Davi com seus comentários, mas o rei manteve a dignidade, e isso causou maior impacto do que se tivesse retaliado (2Sm 16.5-13; 19.18-19). 


4. Não faça ameaças tolas

Sambalá e seus companheiros tentaram intimidar Neemias com ameaças tolas (Ne 4.7-8), mas ele era um homem controlado e sensato, e não permitiu que tal manobra desse certo. Seja sábio e não haja como Sambalá e seus amigos!


5. Não faça julgamento precipitado

Quando algo que você não compreende bem causar aborrecimento, procure manter a calma, para não gerar confusão. Davi, por exemplo, ficou indignado quando ouviu o relato do profeta Natã a respeito de um rico que roubou a ovelha de um pobre. A ira de Davi se acendeu tão precipitadamente, que nem percebeu que a parábola falava Dele mesmo (2Sm 12.4-5). A cólera precipitada é como uma pedra atirada numa caixa de marimbondos – o resultado é desastroso. 

Para evitar um julgamento precipitado, sigamos a recomendação de Tiago, quando disse: “Cada um esteja pronto para ouvir, mas seja tardio para falar e tardio para ficar irado.” (Tg 1.19; 3.1-12).

Todo homem seja pronto para ouvir (Tg 1.19) – Quem fala muito nem sempre acerta no que fala, por isso precisamos aprender a ouvir mais e falar menos, para que tenhamos tempo de refletir bem antes de falarmos:“e do muito falar vêm as palavras tolas” (Ec 5.3).

Todo homem seja tardio para falar (Tg 1.19) - É preciso refletir bem antes de expor nossas impressões, pois nem sempre estamos corretos. Como disse Salomão: “Que a sua boca não se precipite, nem se apresse o seu coração em pronunciar uma palavra diante de Deus... Sejam poucas as tuas palavras” (Ec 5.2-3). (Veja Pv 10.19)

Todo homem seja tardio para se irar (Tg 1.19) - Impaciência e irritação são sentimentos que não combinam com a regeneração e um novo proceder, por isso o sábio disse: “Não se apresse em fcar irado, porque a ira se abriga no íntimo dos tolos” (Ec 7.9). Procure controlar sua raiva, para não correr o risco de machucar alguém, a si próprio e, principalmente, desagradar a Deus.


III. O alerta necessário 

Paulo termina sua recomendação fazendo um alerta necessário: “nem deem lugar ao diabo”. Naturalmente, Paulo não estava insinuando que um crente irado está totalmente à mercê do diabo. Mesmo enfraquecidos, Aquele que está em nós é mais forte que o príncipe deste mundo; no entanto, a ira descontrolada pode dar oportunidade ao inimigo para exercer influência sobre nós a fim de fazermos o mal. 

Na verdade, há três estratégias que o inimigo usa para enfraquecer a nossa fé e nos empurrar ao descontrole em momentos de ira.


1. Satanás usa a estratégia da tentação

No momento da ira, ele atiça ainda mais os nossos ânimos, instiga lembranças, verdadeiras ou imaginárias, que justifiquem nossa atitude. Ele não tem poder para criar o pecado e introduzi-lo em nosso coração; pode apenas chamar a nossa atenção para uma fraqueza que já tenhamos. Ao pecarmos, a responsabilidade é nossa, porque aquela fraqueza já estava em nós: “Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tg 1.14-15).


2. Satanás usa a estratégia do engano

Tentará desviar nossos olhos e ouvidos da verdade, e apontando-os para aquilo que desejamos ver e ouvir. Assim nosso julgamento contra aqueles que nos aborrecem fica comprometido, e as chances de conciliação se esgotam rapidamente: “Temo que, assim como a serpente, com a sua astúcia, enganou Eva, assim também a mente de vocês seja corrompida e se afaste da simplicidade e pureza devidas a Cristo” (2Co 11.3).


3. Satanás usa a estratégia da acusação 

Após nos seduzir e nos enganar a ponto de perdermos a paciência com alguém, ele constrange a nossa consciência de modo a que não creiamos na graça, no perdão e na redenção que temos em Cristo Jesus, tentando nos desviar do caminho da reconciliação com Deus e com o próximo (Ap 12.10). Não dar lugar ao diabo é tirar Dele a razão de nos acusar perante Deus e não permitir que o nome de Deus seja blasfemado por causa de nossos acessos de raiva. Por isso Paulo recomenda: “Seja você mesmo um exemplo de boas obras. No ensino, mostre integridade, reverência, linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário seja envergonhado, não tendo nada de mau a dizer a nosso respeito” (Tt 2.7-8).


Conclusão

A ira faz parte daquela triste lista de atitudes que podem levar alguém ao inferno: “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: imoralidade sexual, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçarias, inimizades, rixas, ciúmes, iras, discórdias, divisões, facções, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas. Declaro a vocês, como antes já os preveni, que os que praticam tais coisas não herdarão o Reino de Deus” (Gl 5.19-21). As obras da carne e o fruto do Espírito não podem andar em harmonia, de maneira que não é possível produzir o fruto do amor e ao mesmo tempo nutrir inimizades no coração. Não é possível exercitar o domínio próprio e viver tendo acessos de raiva. Por isso: “Digo, porém, o seguinte: vivam no Espírito e vocês jamais satisfarão os desejos da carne” (Gl 5.16). A vontade de Deus para a vida dos Seus servos é que sejam temperantes, vivam em santidade, sem iras e sem contendas, e saibam proferir palavras abençoadas.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Resposta bíblica à depressão


Sílvia, mulher cristã de 31 anos, por causa da depressão, havia perdido o interesse em quase tudo: amigos, vida espiritual, noticiários, cuidado da casa, família. Até mesmo o trabalho do qual tanto gostava antes da segunda gravidez não a atraía mais. Ela não tinha ânimo para ir à igreja, encontrar os amigos, estar com o marido, ou mesmo procurar um médico.

Certamente, não existem duas pessoas que reajam à depressão da mesma maneira, pois ela abrange uma variedade de sintomas que diferem em gravidade, frequência, direção e origem. Entre os sinais da depressão encontram-se: tristeza profunda; dificuldade para ação e reação; fadiga geral; visão negativa de si mesmo; perda de espontaneidade; insônia e dificuldade de concentração; e perda de apetite.

Embora depressão seja um termo que não é discutido na Bíblia, certamente essa doença estava incluída nas “aflições” que Jesus anunciou que teríamos no mundo (Jo 16.33). Em outros textos, parece que Jó, Moisés, Jonas, Pedro e muitos outros personagens bíblicos sofreram depressão.

Esses exemplos, acompanhados de numerosas referências à dor da tristeza, dão uma amostra do realismo que caracteriza a Bíblia. O desespero realístico é colocado em contraste com a esperança. A Bíblia não enfatiza tanto o desespero humano, mas sim a fé em Deus e a certeza de que gozaremos uma vida abundante no céu, se não pudermos desfrutar dela aqui na terra (Mt 5.12; Rm 15.13).


I. Causas da depressão

Primeiramente precisamos desmitificar as causas da depressão. Não é verdade, por exemplo, que a depressão seja sempre resultante de um pecado pessoal ou falta de fé em Deus. Também não é verdade que toda depressão seja causada por autopiedade, ou que seja errado um cristão ter depressão, ou que os estados depressivos podem ser curados através de exercícios espirituais.


Os crentes, como todo mundo, estão expostos a essa doença (Sl 42.3-6, 11; 2Co 1.8), e a depressão pode ter causas variadas.


1. Causas físicas

Privação de sono, falta de exercícios físicos, efeitos colaterais de determinados medicamentos, doenças ou uma dieta imprópria. Daí a necessidade de cuidarmos bem do nosso corpo, mente e espírito (1Co 3.16).

Há evidência de tipos de depressão que acometem os membros de uma mesma família e podem ter origem genética. Isso é difícil de comprovar de forma conclusiva, e os relatórios das pesquisas são, às vezes, contraditórios. O fato é que não somente a depressão, mas também outros males na humanidade podem ser transmitidos de geração para geração; pois, assim como Adão, nós também continuamos a gerar filhos à nossa semelhança, conforme nossa imagem (Gn 5.3). Outras pesquisas encontram uma ligação entre a depressão e a química do cérebro, que pode ser curada por medicamentos antidepressivos.

Archibald Hart sugeriu que a depressão de Elias, logo após seu encontro com os profetas de Baal (1Rs 19.1-18), foi provavelmente um exemplo de “depressão pós-adrenalina”, de causa fisiológica, que frequentemente acomete pessoas que experimentaram tensão emocional elevada recente.

Apesar de muitas pesquisas nessa área, os cientistas ainda não sabem se são os pensamentos depressivos que provocam alterações bioquímicas ou é um desequilíbrio químico no cérebro que provoca a depressão.


2. Causas psicológicas

Estatísticas assombrosas concluíram que fatores psicológicos, de desenvolvimento, interpessoais, espirituais e outras influências não físicas são a causa de muitos problemas depressivos.

Causas ligadas à própria vida e à família. Acontecimentos importantes passados na infância, ou em qualquer fase do desenvolvimento humano, ligados ao contexto familiar, podem levar à depressão, num momento próximo ao fato em si ou muito tempo depois (Jó 1.18-19;2.9 compare com Jó 3.23-26).

Estresse e perdas importantes. É bem conhecido que o estresse da vida pós-moderna estimula o surgimento da depressão, principalmente quando nos sentimos ameaçados ou quando somos afetados por perdas – na área financeira ou de entes queridos (Jó 1.18-19; 2.9 cf. 3.23-26).

Desespero diante da impotência. É frequente alguém ficar deprimido quando se sente impotente para resolver problemas que surgem, quando entende que não há nada que possa ser feito para aliviar seu sofrimento (Jó 6.11-13).

Pensamentos negativos. Os pensamentos de uma pessoa, muitas vezes, determinam o modo como ela se sente (Pv 23.7; 27.19). De acordo com o psiquiatra Aaron Beck (Terapia Cognitiva), as pessoas deprimidas têm pensamentos negativos sobre o mundo e as experiências de vida, sobre si mesmas e sobre o futuro.

Ira não tratada. Um ponto de vista antigo e amplamente aceito sugere que a depressão aparece quando sentimentos de ira são guardados no coração e se voltam contra a própria pessoa. Deve ser por isso que somos exortados a não deixar a ira passar de um dia para o outro sem o devido tratamento (Ef 4.26).

Pecado e culpa. Quando uma pessoa percebe que pecou, ela se sente culpada. Se ela não tratar o pecado e a culpa adequadamente, isso pode desencadear um processo de depressão. O tratamento adequado é o arrependimento. Com base em Romanos 4.25, podemos dizer que “Jesus morreu por causa dos nossos pecados, e ressuscitou para limpar as nossas culpas”. Mas quando a pessoa já está deprimida, ela precisa que alguém lhe diga isso. É aqui que entram os psiquiatras, psicoterapeutas e conselheiros cristãos.


II. Efeitos da depressão

Em geral, quanto mais profunda a depressão, mais intensos são os efeitos. A depressão pode acarretar alguns dos seguintes efeitos.


1. Sentimento de incapacidade, gerando infelicidade

Pessoas deprimidas costumam se sentir “para baixo”, sem esperança, críticas de si mesmas, infelizes e sem entusiasmo para nada – “totalmente desanimados”(Sl 79.8 NVI).

2.  Doenças físicas

Por exemplo, a tristeza que acompanha o luto e a solidão tende a inibir o sistema imunológico, deixando o organismo à mercê de doenças oportunistas (Pv 18.14).


3. Baixa autoestima e retraimento

Uma pessoa que está desanimada, desmotivada e entediada com a vida, muitas vezes, apresenta baixa autoestima, autopiedade, falta de confiança em si mesma e um forte desejo ilógico de se afastar das pessoas. Essas reações são claramente expressas no salmo 88.8, 18.


4. Forte tendência suicida

Não existe meio de fuga mais completo do que tirar a própria vida direta ou indiretamente. Há muitos deprimidos que jamais pensam em suicídio, mas outros apresentam propósito firme de dar fim à vida e escapar de uma existência penosa. Jó, ao amaldiçoar o dia de seu nascimento, revela claramente seus desejos de morte (Jó 3.11-23). Veja a lição 11 (pág. 69).


III. Propostas de ajuda a depressivos

Como cristãos conscientes, estamos certos de que a maioria das pessoas não se livra da depressão de uma hora para outra, mas também conhecemos os recursos terapêuticos que temos à nossa disposição e, acima de tudo, já experimentamos a esperança que o evangelho nos traz (Rm 15.13). Nesta tríplice perspectiva é que apresentamos, a seguir, as possibilidades de ajuda aos depressivos, que podem ser úteis tanto para pacientes como para conselheiros cristãos.


1.  Lide diretamente com as causas

Como vimos na primeira parte da lição, a depressão pode ter causas de origem física ou psicológica. Para tratá-la de forma eficaz, é necessário, na medida do possível, identificar e tratar a doença a partir das causas e não apenas dos sintomas. A pergunta correta não é “O que eu estou sentindo?” e sim “por que você está abatida, ó minha alma?” (Sl 42.11).


2. Confie em Deus

O apóstolo Paulo, através de suas experiências e do estudo das Escrituras, tinha aprendido a confiar em Deus e “a viver contente em toda e qualquer situação” 

(Fp 4.11). Isso o ajudou a evitar a depressão. Contudo é preciso lembrar aqui que não basta dizer às pessoas deprimidas: “Confie em Deus que a depressão irá embora”. Isso é simplificar demais o problema, podendo até piorá-lo. Muito mais proveitoso é o apoio de uma comunidade que diz: “Estamos ao seu lado neste momento de dor e vamos orar por você, apesar de não conseguirmos compreender completamente o que está acontecendo”.


3. Prepare-se para lidar com o desespero

Quando somos realistas o bastante para esperar que haja dor, e bem informados o suficiente para saber que Deus está sempre no controle de tudo, podemos enfrentar melhor o desalento e, muitas vezes, conseguimos evitar cair em depressão profunda, como foi o caso de Ana, que veio a ser mãe do profeta Samuel (1Sm 1.15-18).


4. Aprenda a lidar com a raiva e a culpa

Há pessoas que entram em depressão porque sua mente está presa a injustiças ou fracassos do passado. A maioria de nós precisa de ajuda para aprender a lidar corretamente com problemas como esses. Entender que precisamos de ajuda e procurá-la já é o primeiro passo para alcançar a cura. Entretanto muitos precisam de alguém que os encoraje e acompanhe no processo. O apóstolo Paulo considerou seus fracassos como ganhos (Fp 3.7-11) e aceitou as injustiças de seus irmãos como oportunidade para exercitar o perdão e a dependência de Deus (2Tm 4.16-17).


5. Confronte modos de pensar

Quando as pessoas aprendem a confrontar sua própria maneira de pensar e a dos outros também, isso pode evitar a depressão ou reduzir sua intensidade. A Bíblia fala sobre meditar na palavra de Deus (Sl 1.1-2; 119.9-16) e pensar em coisas que são boas, positivas e justas (Fp 4.8).


6. Aprenda a ter maior domínio sobre si mesmo e sobre as circunstâncias que o envolvem

Fazendo assim, haverá menos probabilidade de sentimento de impotência que leva à depressão. Essa foi a atitude de Paulo e sua orientação à tripulação do navio em que viajava (At 27.33-38). E o resultado foi que “todos ficaram mais animados” (v.36).


7. Procure apoio

Há muitos estudos que comprovam que pessoas religiosas estão menos propensas a determinados tipos de males do nosso tempo. Por isso as igrejas e demais instituições sociais podem ser comunidades terapêuticas onde as pessoas se sentem bem-vindas e aceitas. Um exemplo disso é a história do filho pródigo (Lc 15.11-32). Embora houvesse um “irmão mais velho” cheio de censura, havia um pai transbordante de amor pelo filho que, arrependido, voltava para casa.


8. Dedique-se aos outros

Os Alcoólicos Anônimos demonstram que as pessoas que vivenciam determinado problema contribuem para sua própria cura quando se dedicam a ajudar os outros. Podemos dizer que cuidar das feridas dos outros nos ajuda a sarar as nossas próprias. Por esse motivo, a Bíblia oferece diversos mandamentos de mutualidade (Rm 15.7; Ef 4.32; Hb 10.24 e 1Pe 4.8-10).


9. Pratique e incentive a prática de exercícios físicos

Uma boa alimentação e exercícios físicos regulares podem ajudar em muito o nosso organismo a enfrentar melhor as doenças. Não custa relembrar que a depressão é uma delas. Nas leis cerimoniais do AT e nos princípios da mordomia do corpo no NT (já citados anteriormente em alguns textos desta lição), Deus demonstra grande interesse na boa saúde de Seus filhos.


Conclusão

Gary Collins, referindo-se a um ministro cristão, fez a seguinte citação: “Todo indivíduo que pensa já ter colocado todos os caminhos de Deus convenientemente organizados numa tabela, analisados e correlacionados com explicações superficiais e convenientes, de modo que tem plenas condições de responder a todas as dúvidas dos corações feridos, ainda tem um longo caminho a percorrer no labirinto de mistério que chamamos de vida e morte”. Deus não tem “nenhum modo estereotipado de fazer o que faz. Ele livrou Pedro da prisão, mas deixou João Batista numa masmorra para morrer. Eu aceito tudo o que Deus faz, não importa como o faça” (Rm 8.28; 1Ts 5.18). Esse irmão via a vida de maneira realista, e isso é algo que pode ajudar os conselheiros e aconselhados a lidar melhor com o problema da depressão.

De onde vêm os conflitos?


Dois navios colidiram no Mar Negro em 1986, lançando centenas de passageiros nas águas geladas, provocando mortes. As notícias do desastre tornaram-se mais terríveis quando uma investigação revelou que o acidente foi causado por teimosia humana. Cada capitão estava ciente da presença do outro navio e ambos poderiam ter optado por uma ação preventiva para evitar a colisão. Mas nenhum deles quis ceder ao outro. Quando viram o erro que cometeram, era tarde demais (Pão Diário 4).

Fica clara a existência de um conflito de atitudes dos dois capitães. Assim também há conflitos em nossa vida. Na busca do motivo desses acontecimentos, devemos voltar ao começo da história da humanidade, especialmente Gênesis 3. Podemos dividir a história humana em antes e depois do evento ali relatado.


I. Quem somos agora?

A entrada do pecado no mundo estragou a “festa da vida”. O Éden era um lugar aprazível, jardim de delícias, um paraíso mesmo. A prova disso se resume num só fato: lá não havia pecado. Mas, a partir da queda, o ser humano adquiriu uma outra natureza: a de pecador.

Herdamos do primeiro casal o gene do paraíso perdido. É o sentimento ou a sensação de que tínhamos algo e perdemos, de que não somos exatamente o que fomos criados para ser. Marcos Inhauser, em seu livro Opção pela Vida (Campinas: United Press), fez um interessante esboço sobre esse tema. O esboço a seguir é Dele, mas os comentários são do autor da lição, salvo quando houver citação.

1. Somos seres expulsos do paraíso

“E o Senhor Deus ordenou ao homem: De toda árvore do jardim você pode comer livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal você não deve comer; porque, no dia em que dela comer, você certamente morrerá” (Gn 2.16-17). A liberdade está declarada nesta palavra “livremente”. O homem não precisava consultar o Criador, pois Ele já havia dado a ordem para desfrutar de “toda árvore”. Contudo, não contente com tamanha bênção, o primeiro casal quis ir além do que Deus estabeleceu. Resultado: foram expulsos do jardim(Gn 3.23).


“A vida humana se inicia no paraíso e se desenvolve no desejo e luta de retornar ao paraíso perdido” (Inhauser, p.20). E sem essa compreensão não conseguiremos entender o ser humano. Quando Jesus usou a palavra “perdição” (Mt 7.13), estava dizendo que as pessoas estão “perdendo algo”, no caso, a vida. 


2. Somos seres insatisfeitos com os paraísos que temos

A insatisfação é gerada pelo senso da perda. Nada satisfaz, nada preenche o coração que não está no lugar originalmente planejado por Deus. Isso explica o comportamento da humanidade que busca, freneticamente, satisfazer-se em tantas coisas e em tantos lugares. Mas a sede só aumenta. “Nenhum momento de nossa vida será tão pleno que não haverá nenhum reparo a ser feito” (Inhauser, p.20). 

3.  Somos seres de paraíso em paraíso

Uma pessoa fora do seu ambiente natural se comporta como um peregrino, tentando encontrar seu lugar. Sempre achamos que a próxima circunstância, pessoa, emprego, cidade ou país nos trará a felicidade tão sonhada! Grande engano, nenhum “paraíso” suprirá o que foi perdido.

4.  Somos seres impedidos de voltar ao paraíso perdido

Ninguém jamais voltou ao paraíso perdido. Deus colocou anjos especialmente designados, portando cada qual uma espada de fogo que dava voltas em todas as direções, para que o primeiro casal não retornasse ao paraíso e tivesse acesso ao caminho da árvore da vida (Gn 3.24).

5. Somos seres que decidem

O Senhor Deus perguntou a Adão: “Quem lhe disse que você estava nu? Você comeu da árvore da qual ordenei que não comesse?” (Gn 3.11). O primeiro homem decidiu errado, e as consequências dessa decisão passaram a todos os homens (Rm 5.19). Escolhemos todos os dias e em todos os momentos. Ninguém vive sem tomar decisões. No mundo pós-queda, temos que decidir. Mas, pela graça de Deus, através de Jesus Cristo, retornaremos ao paraíso eterno, poderemos comer da árvore da vida e de lá jamais seremos expulsos (Ap 2.7; 22.2-4). A Deus seja a glória para sempre!


II. Por que sofremos?

“O que descobri é tão somente isto: que Deus fez o ser humano reto, mas ele se meteu em muitos problemas.” (Eclesiastes 7.29)

Esse versículo de Eclesiastes nos ensina que os muitos problemas e sofrimentos são nossa culpa, e não nosso destino. Sabemos que muitos sofrem por causa de outros (as vítimas da guerra, por exemplo). Em sua condição original, Deus fez o homem reto, mas ele se corrompeu, perdendo seu estado de inocência e santidade. A expressão “muitos problemas” é o mesmo que muitas complicações, muitas invenções.

As consequências dessa queda são conhecidas. Entretanto precisamos destacar alguns tópicos, porque estes se interligam com os conflitos da vida.


1.  A terra amaldiçoada (Gn 3.17)

Pisamos num chão amaldiçoado.  “maldita é a terra por sua causa”. Não há como escapar dessa triste realidade. Mas não pense que seja uma maldição semelhante à de um feiticeiro pagão, que esteja interessado somente na desgraça do outro. O sentido é que a terra vai sofrer as consequências da desobediência contra o Deus santo. Ainda que você possa contemplar lugares paradisíacos na terra, eles estão guardados para serem consumidos pelo fogo e pelo juízo de Deus, conforme diz-nos o apóstolo Pedro (2Pe 3.7).


2. A humanidade decadente (2Tm 3.1-5)

Temos uma profecia acerca dos “últimos dias”, que começaram quando Jesus nasceu e terminarão na segunda vinda.

A moralidade em baixa – “pois os homens serão” – O apóstolo imediatamente prossegue dizendo-nos a razão da dificuldade dos últimos dias. É importante compreender que os homens são os responsáveis pelos tempos difíceis ou duros de suportar. Por isso, nesse texto encontramos 18 adjetivos negativos que explicam a razão das dificuldades entre as pessoas. 

Ao analisar cada palavra, descobrimos que todo esse comportamento errado é a inevitável consequência de amar mais a si mesmo e aos prazeres do que a Deus. Dos 18 termos, quatro estão relacionados ao amor e à amizade, sugerindo que, fundamentalmente, o erro da humanidade é que o seu amor está mal direcionado. Em vez de serem “amigos de Deus” são “amigos de si mesmos” (egoístas), “amigos do dinheiro” (avarentos) e “amigos dos prazeres” (hedonistas) (2Tm 3.2-4).

Certo teólogo compara o homem egoísta ao ouriço (mamífero insetívoro que tem o corpo coberto de espinhos), o qual, tornando-se uma bola, mostra somente espinhos aguçados aos que o veem, ao mesmo tempo em que guarda para si mesmo, interiormente, todo o pelo macio e quente (Trench).

A religiosidade aparente – (2Tm 3.5). É talvez surpreendente, e porque não dizer quase inacreditável, que pessoas como essas que acabamos de ler possam também ser religiosas! Mas é verdade. Alguém já disse que é justamente atrás das fachadas da religiosidade que as pessoas mais se escondem (leia Isaías 1.10-17). Aos escribas e fariseus hipócritas, o Senhor Jesus Cristo disse: 

“Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas, porque vocês limpam o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de roubo e de glutonaria!” (Mt 23.25). Significa que eram meticulosos em proteger a pureza cerimonial, mas por dentro não havia a pureza moral.

2Timóteo 3.5 afirma: “tendo forma de piedade mas, negando o poder dela”. Era forma sem poder, aparência externa sem realidade interna, religião sem moral, fé sem obras. Como escreveu A.W. Tozer: “Todas as nossas palavras são do poder, mas todos os nossos atos são da fraqueza.” A verdadeira religião combina forma e poder.


3. O campo de batalha (Ef 6.10-12)

Toda pessoa que já experimentou o novo nascimento sabe que “a nossa luta não é contra o sangue e a carne mas contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais” (v.12). Podemos destacar três características, neste versículo, sobre o inimigo que enfrentamos. 

Poderoso – São “forças” e não fraquezas do mal. Vale lembrar que o diabo pôde oferecer a Jesus “todos os reinos do mundo” (Mt 4.8-9), e o Senhor Jesus o chamou de “príncipe deste mundo”(Jo 12.31; 16.11). Um príncipe é alguém que tem um principado nas mãos. 

Maligno – “Se esperamos vencê-lo, temos que ter em mente que ele não possui qualquer princípio moral, nem código de honra, nem sentimentos mais nobres” (Stott). É totalmente inescrupuloso, sem qualquer pudor ou vergonha. Só maldade, maldade e maldade. “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir” (Jo 10.10).

Astuto – Paulo escreve sobre as “ciladas do diabo” (Ef 6.11); em 

2Coríntios 11.14 afirma que “o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz”, e em 2Coríntios 2.11 declara: “para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não ignoramos as intenções dele”, outra versão diz, “conhecemos bem os planos dele” (NTLH). As ciladas do diabo têm muitas formas, mas o seu maior êxito em astúcia é quando consegue persuadir as pessoas de que ele não existe. “Negar a sua existência é expor-nos ainda mais às suas sutilezas”, escreveu Martyn Lloyd-Jones. 

A Bíblia diz que o espírito do príncipe da potestade do ar atua agora nos filhos da desobediência (Ef 2.2). O verbo “atuar” (energeo) vem da palavra “energia” e indica uma atuação eficaz e muito operante. 

Para que tenhamos vitória e até mesmo paz em meio a uma luta sem tréguas contra o mal, é necessário que nos revistamos de toda a armadura de Deus (Ef 6.13-18).


Conclusão

Embora essas realidades expliquem a origem e a permanência dos conflitos da vida, a proposta bíblica não é para que tenhamos uma atitude conformista e nem derrotista. O apóstolo Paulo afirmou: “Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo” (2Co 2.14).

Nosso convite é para que você encare os conflitos apresentados nas lições a seguir como alguém que deposita sua esperança em Cristo Jesus. Porque Nele “somos mais que vencedores” (Rm 8.37).

sábado, 22 de fevereiro de 2020

O sentido da vida


Muitas pessoas gastam boa parte da vida buscando algo que dê significado e sentido a ela. Um jornalista britânico escreveu: “Falando francamente, será que, antes de morrer, eu tenho tempo de descobrir por que nasci? Por que eu preciso saber o porquê do meu nascimento? Porque, é claro, não consigo acreditar que foi por acidente; e, se não foi, deve haver um significado” (Questões da Vida, Nicky Gumbel, Encontro Publicações, p.11).

A busca pelo sentido da vida é algo sadio, normal e relevante. Os mais renomados psicólogos do século 20 reconheceram isso. Freud disse: “As pessoas têm fome de amor.” Jung afirmou: “As pessoas têm fome de segurança.” Adler disse: “As pessoas têm fome de significância” (Gumbel, p.23). Entretanto, o Senhor Jesus Cristo disse: “Eu sou o pão da vida. Que vem a mim jamais terá fome; e quem crê em mim jamais terá sede”(Jo 6.35). 

Então, qual é o sentido da vida?


I. Que é a vida?

“O modo mais fácil de descobrir o propósito de uma invenção é perguntar ao inventor.”  Rick Warren

Duas opções são propostas para se descobrir o sentido da vida (Uma Vida com Propósitos, Rick Warren, Editora Vida, p.19). A primeira é a especulação, que, evidentemente, é a opção escolhida pela maioria das pessoas. Especular é simplesmente investigar por meio do raciocínio abstrato, é fazer conjectura, suposição não baseada em fatos concretos. A especulação procura entender por meio da razão, sem tomar medidas práticas.

Mas a melhor alternativa para o significado da vida é a revelação. Deus revela o verdadeiro sentido da vida. Temos que perguntar ao Criador por que Ele nos fez. Ele nada faz sem propósito. A Bíblia é uma espécie de “Manual do Proprietário”, explicando-nos a origem e o propósito da vida. O lugar mais seguro para encontrarmos a resposta sobre o sentido da vida está no livro do Autor da vida.

1.  A origem da vida é Deus

A Bíblia afirma que o mundo, por sua própria sabedoria, jamais conheceu a Deus (1Co 1.21). Isso quer dizer que ninguém jamais chega ao conhecimento de Deus usando seus próprios meios ou pela razão pura. “Deus não é apenas o ponto de partida de nossa vida: Ele é a fonte da vida” (Warren, p.20). Aos religiosos de Atenas, o apóstolo Paulo asseverou que é o próprio Deus “quem a todos dá vida, respiração e tudo mais” (At 17.25).

O primeiro versículo da Bíblia diz: “No princípio Deus” (Gn 1.1). Isso nos ensina que é sempre Ele quem inicia o diálogo. Mesmo após a queda do ser humano, foi Deus quem tomou a iniciativa de ir atrás do homem. Ele enviou Seu Filho ao mundo não porque o mundo estivesse clamando por isso, mas porque o próprio Deus o amou de tal maneira (Jo 3.16). No final do Apocalipse, o Senhor Jesus Cristo Se apresenta desta forma: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (Ap 22.13). Ele começou tudo, portanto, Ele vai terminar tudo. Exatamente como Ele mesmo planejou (Is 46.9-10).

Quando as mulheres foram ao túmulo procurar Jesus, os anjos perguntaram-lhes: “Por que vocês estão procurando entre os mortos ao que vive? ” (Lc 24.5). 

Elas estavam procurando o homem certo no lugar errado. Assim também quando as pessoas procuram na sabedoria popular, nos livros de autoajuda e nas tradições humanas a resposta para o sentido da vida, jamais acharão “a” resposta. Sem Deus a vida não faz sentido.


2.  O propósito da vida é a glória de Deus

Agora que já sabemos Quem nos criou, precisamos saber para quê Ele nos criou. Por quê? Como? “Você não criou a si mesmo, logo não há jeito de dizer a si mesmo para que foi criado!” (Warren, p.19). 

Ao profeta Isaías, o Senhor Criador afirma sobre os seres humanos: “os que criei para a minha glória” (Is 43.7; cf. Is 43.21). Paulo, ao se referir à Pessoa eterna de Jesus Cristo, afirmou que “tudo foi criado por meio Dele e para ele” (Cl 1.16). E aos romanos prevalece o mesmo ensino: “Porque Dele e por meio Dele e para ele são todas as coisas. A ele, seja, a glória para sempre. Amém.” (Rm 11.36).

Imagine que você vai promover um evento, e seu propósito principal é exaltar a si mesmo. Qual seria sua estratégia? A resposta é simples: fazer com que você seja o centro de todas as coisas. Fazer com que todos os holofotes, todas as luzes estejam voltadas para si mesmo. E aí, no final, todos fiquem em pé e aplaudam você.

Assim também Deus planejou a criação. O foco não é você, é Ele. Mas como Ele consegue fazer isso e não ser o maior egoísta? Justamente pelo fato de ser Deus. Ele é perfeito, você se esqueceu!? Só Ele consegue criar tudo para a Sua própria glória e ainda ter um amor ilimitado! Medite em Isaías 57.15.

Quando Paulo diz que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28), vale lembrar que, nesse versículo, a palavra “bem” não significa o “bem-estar” de cada um, mas o contexto indica seguramente que o apóstolo se refere à imagem de Jesus Cristo que está sendo formada nos filhos de Deus (Rm 8.29). O propósito da vida não é a chamada “realização pessoal” ou a sua “felicidade”. É muito maior.

“Se você se concentrar em si, jamais desvendará o propósito da vida. Você foi feito por Deus e para Deus e, enquanto não compreender isso, a vida não terá sentido” (Warren, p.18-19).

Quando Deus criou você, primeiramente Ele não pensou em você, mas pensou Nele mesmo. Se você guardar essa “chave”, irá abrir muitas portas preciosas durante a sua vida.


3.  O sentido da vida é a paz com Deus

Com a entrada do pecado no mundo, que trouxe a separação entre o homem e Deus (Is 59.2), a maior necessidade do homem passou a ser a paz com seu Criador.

Quando Paulo declara que “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2Co 5.19), está nos ensinando que a reconciliação, isto é, “voltar a ter a amizade perdida”, era o propósito principal de Deus, por meio de Cristo. 

A paz com Deus é o sentido da vida, porque quando a temos estamos em condições de receber todo o favor e as bênçãos do Senhor. As promessas da palavra de Deus são para Seus filhos, e estes vivem em paz com o Pai (Rm 5.1). Aqui vale a famosa frase de Agostinho: “Tu nos criaste para Ti, e o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousar em Ti” (Confissões, p. 23).

A Bíblia afirma que nem um ser humano por si mesmo tem paz. Ela é algo que sempre vem de Deus. 

Isaías 26.3 declara: “Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti.” Percebeu como a paz está relacionada à confiança em Deus? Aos Efésios, Paulo diz que Cristo é a nossa paz, Ele fez a paz, e Ele evangelizou a paz (Ef 2.14,15,17). E, em João 14.27, Jesus falou sobre “a minha paz”. 

Enquanto não tiver paz com Deus, o homem não terá paz consigo e com o próximo, e, por isso, não encontrará o sentido da vida. A angústia e a inquietação no coração não lhe permitirão compreender a realidade da vida.


II. Por que Deus criou o homem?

Afirma-se que alguém disse a Albert Einstein: “Deus não joga dados”. “É verdade”, respondeu o célebre cientista, “mas certamente Ele joga xadrez”. A interpretação é simples. Quem joga dados depende da sorte; mas quem joga xadrez usa estratégias.

Deus não fez nem faz alguma coisa sem propósito. Ao criar o homem, por exemplo, podemos destacar três propósitos.


1. Criado para ser eterno

Ao afirmar que Deus colocou a eternidade no coração do homem (Ec 3.11), o autor de Eclesiastes está nos informando que o homem foi criado para algo mais do que a roda-viva da vida. Deus colocou dentro de nós o conhecimento de que este mundo não é suficiente. Um historiador russo escreveu: “Dê ao homem tudo o que ele quer, e logo ele verá que o tudo não é tudo”.

O conceito de eternidade é necessário para dar significado ao sentido da vida. Por quê? Porque o Deus que nos criou é conhecido como “O Eterno”. E qualquer princípio de doutrina cristã que retire a ideia de eternidade está tirando a sua essência. “Começou” é uma palavra que indica tempo e não tem significado pessoal para o Altíssimo que habita a eternidade.

Somos quase que obrigados a acreditar que Deus não nos criou para sermos joguetes num mundo passageiro. Não somos existencialistas. A vida não termina com a morte. O fim da circulação sanguinea e a ausência total de respiração não decretam o fim de tudo. A eternidade de Deus nos convence de que a fé em Jesus Cristo, que é o Pai da Eternidade (Is 9.6), não é uma opção. A vida eterna, que é uma qualidade e não somente uma quantidade de vida, foi o que Jesus mais prometeu durante Seu ministério terreno. Crer em Jesus significa ter a vida eterna (Jo 3.36; 17.3). Como disse um teólogo, “a fé orienta o homem para a eternidade”. O sentido da vida é a vida eterna.


2. Criado para ser santo

Nem pense numa imagem “celestial” imóvel num canto da parede, ou numa pessoa legalista, e nem na série de proibições para todas as áreas da vida. Essa não é a ideia bíblica de um santo.

Em que nos baseamos para afirmar que o homem foi criado para ser santo? A resposta é a mesma que estamos defendendo desde o início desta lição, ou seja, tudo começa em Deus.

Quando o Senhor pede santidade do Seu povo, declara que o motivo é Sua própria essência: “Sejam santos, porque eu, o Senhor, o Deus de vocês, sou santo.” (Lv 19.2; 1Pe 1.16). A palavra hebraica para “santo” significa “cortar” ou “separar”. A ideia básica de santidade de Deus não é tanto uma qualidade moral de Deus, mas, sim, a posição ou relação entre Deus e alguma pessoa ou coisa. Assim, é dupla a ideia bíblica da santidade de Deus.

Ele é absolutamente distinto de todas as Suas criaturas e exaltado sobre elas em infinita majestade (Ec 5.2; Is 6.1-3; 57.15).

Ele não tem qualquer comunhão com o pecado (Jó 34.10; Hc 1.13).

Essa face de Deus, isto é, a Sua santidade, precisava ser mais enfatizada nas igrejas. Da mesma forma que não fomos criados para nossa própria glória, também não fomos feitos para nos comportar conforme nossos próprios conceitos.

3. Criado para ser servo

Ao colocá-lo no jardim do Éden, a Bíblia afirma que o propósito de Deus era para o homem “cultivar e guardar” (Gn 2.15) esse jardim. Isso implica trabalho, serviço. 

Muitos se esquecem que, ao confessar Jesus como seu Senhor, estão, naturalmente, se colocando também na posição de servos. E isto não é somente um título, mas uma posição que implicará deveres a serem cumpridos.

Em Efésios 2.10, lemos: “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos” (NVI). Essas “boas obras” são todos os atos que fazemos em obediência à Palavra e voz de Deus em nosso coração.

Servir é cumprir o propósito de Deus ao nos criar, o que dará mais sentido à nossa vida. Aqueles que acham que os outros devem servi-los não encontram significado satisfatório, além de não estar seguindo o exemplo de Jesus, descrito em Marcos 10.45.

Conclusão

1. O fato de todo o sentido da vida começar em Deus, e não no homem, é um pensamento que revolucionou sua forma de ver a vida? Ouça a opinião de outras pessoas.

2. Por que a paz com Deus é fundamental para entender o significado da vida?

3. A eternidade no coração do homem, descrita em Eclesiastes 3.11, explica a constante busca do homem por “algo mais”? Por quê?

4. Em que sentido o serviço ao próximo ajuda na compreensão da razão de viver?

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

VOCÊ NÃO ESTA SÓ!




Você não precisa mais caminhar sozinho, Jesus cumpriu sua promessa foi para o Pai e nós deixou o Espírito Santo, amigo, consolador e companheiro para todas as horas.

A cortina do templo foi rasgada nada mais pode impedir a presença de Deus de se manifestar naqueles que amam ao Senhor. 

Solidão é momento, mas a verdade é que só fica sozinho quem quer porque o Senhor é perfeito e quer morar em você basta aceitar isso em amor. 

Você não esta sozinho, creia nisso!

Deus te abençoe.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

DEUS, PRESENÇA QUE TRANSFORMA VIDAS


Quando Jesus vai chamar seus primeiros discípulos Ele dá uma demonstração de como a presença de Deus transforma as vidas. Ele usa o barco de Simão (Pedro) para ensinar a palavra de Deus e quando acaba Ele diz a Simão para que volte para o lago e jogue suas redes para pescar. 

O curioso é que Simão fica desconfiado, mas por causa da palavra que fora lançada por Jesus ele vai e a transformação na situação dele é tão grande que ele faz sinal para um outro barco e o texto vai dizer que os dois quase afundaram de tantos peixes.

A palavra foi lançada para Simão, mas a benção veio para todos que estavam ao redor dEle. Jesus é quem pode nos tirar da solidão e nos colocar em um lugar onde vamos convidar os que estão ao nosso redor e seremos tão abençoados ao ponto de quase não suportarmos tamanha as coisas que o Senhor vai fazer em nós.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

SOLIDÃO, UM MAL QUE ASSOLA MUITAS PESSOAS.


A solidão tem afetado boa parte das pessoas na sociedade, muitas pessoas ao nosso redor têm enfrentado esta dificuldade e, quando não somos a pessoa que está nesta situação, acabamos não percebendo.

A solidão não é algo que surgiu do nada ou que apareceu na nossa geração. É um mal que tem feito os sentimentos destoar em relação aquilo que conhecemos ou acreditamos.

Jó aparece constantemente em momentos de solidão e tristeza e isso não porque ele era fraco ou pecador, mas porque ele precisava passar por esses momentos.

Talvez você esteja enfrentando um momento de solidão ou conhece alguém que está, saiba que não estamos sós. Jesus veio para nos deixar um companheiro, o Espírito Santo e ele esta conosco em todo tempo.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

O plano de Deus para você


Há muita discussão teológica sobre o texto de Efésios 4 onde está escrito que “ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres…” 

As posições vão desde pensar que os ministérios foram para os tempos da igreja primitiva e não estão mais ativos hoje, até aqueles que defendem que todo cristão precisa saber e atuar conforme o seu ministério particular. Ambas as posições estão equivocadas.

Os “ministérios” de Efésios 4 são para hoje. O próprio texto diz que essas funções foram concedidas até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo". O que ainda não aconteceu. 

Os “ministérios” de Efésios 4 não são para todos. O erro está em confundir “mandato” com “dom”. Todo cristão tem o mandato/incumbência de praticar os atos mencionados no texto. Mas, nem todos tem o dom específico para tal. O dom ministerial de mestre, é para alguns, mas todo cristão é comissionado a ensinar. 

A urgência que deveríamos ter em cumprir nossos mandatos enquanto cristãos, é superada por um medo infundado de não estar fazendo aquilo que o Senhor nos “chamou” para fazer. E esperamos, ao invés de apenas agir, porque estamos olhando de forma errada para essas funções ministeriais. 

Deus está comprometido com Seu plano, Ele cumpre as promessas que fez a Seu povo. Ele nunca muda. Esse entendimento ajuda você a descansar enquanto faz seu trabalho nesta era, porque sabe que a vontade de Deus não será frustrada. Acredite nisso! Seja qual for a função que exerce, você é parte do plano de Deus.

ORAÇÃO: Pai, sou grato a Ti por me incluir em Teu plano perfeito. Obrigada por me chamar de filho(a) e permitir que eu esteja ao teu lado no grande dia do Senhor. Peço que nesta era você me use como desejar. Que me ajude a aplicar os dons e talentos que o Senhor colocou em mim colaborando para Teu Reino. Ensina meu coração a amar mais a Ti do que a qualquer outra coisa, me ajuda a entender que nunca haverá nada que eu possa fazer que seja suficiente por aquilo que o Senhor já fez e tem feito por mim. Que sua vontade se cumpra em minha vida, com ou sem dons ministeriais. Que você encontre em mim a vida e o coração de devoção que você deseja encontrar. Em nome de Jesus, amém!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Descobrindo seu ministério

O dualismo é a teoria de interpretação que explica determinada situação ou âmbito em termos de dois fatores ou princípios opostos. De modo geral, os dualismos são classificações duplas que não admitem graus intermediários. É comum se pensar que a fé e a razão existissem em mundos opostos, incapazes de interagir. Classificamos cada coisa como espiritual ou mundana, como se não houvesse possibilidade alguma de junção entre as duas realidades. Por exemplo, separamos em “espiritual” a igreja, a oração, a leitura bíblica, a música gospel. Separamos como “secular” o trabalho, o sexo, o lazer e os mais diversos estilos musicais.

Saiba, esse pensamento é comum, porém contrário às Escrituras.

“Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem;” (Salmos 24:1)

Todo cristão é um ministro do evangelho. A mesma palavra do grego que é traduzida para o português como “ministro”, também é traduzida, na maioria dos versículos em que se encontra, como “servo”, ou seja, aquele que está a serviço.

Precisamos servir, como ministros/servos, onde quer que estejamos, na igreja, nas profissões, na família, etc. 

A posição/cargo é circunstancial. O ministério, não. Tenhamos em mente, que o ministério (a função de ministro), é para sempre, mas a posição em que executamos essa função pode ser temporária. Uma pessoa não é “menos ministro” se deixar de atuar como pastor tempo integral, para atuar como advogado. Nem se deixar de atuar como missionária tempo integral, para atuar como dona de casa. É natural transitar entre as “profissões” em diferentes estações da vida. E fazer isso não te tira do seu chamado, nem da vontade de Deus para você. O que nos tira da vontade de Deus para nós é a desobediência, o pecado.

ORAÇÃO: Pai, sou grato(a) pela tua bondade infinita, pela graça e pelo amor que tens derramado sobre mim desde o dia em que nasci. Como filho, quero te honrar com a minha vida sendo para sempre teu servo(a). Dá-me um coração de servo(a), dá-me entendimento de que tudo que faço te glorifica, para que minhas ações não venham do meu ego, mas sim do meu coração que entendeu diante de Quem está vivendo. Amém! 


quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Uma vida com propósito


É natural querer saber qual é o seu papel na história de Deus.  

Deus deu a você habilidades, interesses, talentos, dons, personalidade e experiências de vida para que as usassem para Sua glória.

É possível encontrar propósito para as pequenas tarefas. A busca por um grande propósito de vida, muitas vezes o torna etéreo e de difícil aplicação prática em nosso cotidiano. Como o propósito é o motivo, e sem entender o motivo/razão, os sofrimentos geram dor e frustração. É imprescindível saber o porquê faz o que faz, para que sofra com propósito, e então, esteja alegre e realizado(a) mesmo em meio ao sofrimento. Quando sentimos que estamos sofrendo sem fundamento, a vida parece sem sentido. Se sofremos por um motivo (por uma recompensa), aquilo passa a valer a pena para nós. 

Portanto, propósito é a visão que motiva nossas ações. Nós, como cristãos, temos um papel pessoal que está intimamente ligado ao propósito de Cristo. Nosso propósito é conhecê-lo e andar conforme Ele.  Andar e viver como Ele viveu. Jesus é o modelo a ser imitado.


ORAÇÃO: Pai, quanto mais eu Te conheço, mais eu quero responder a esse amor. Que essa resposta seja minha vida dedicada a obedecer aquilo que o Senhor deseja para minha vida. Ensina meu coração a ouvir a Tua voz e a discernir aquilo que é o Teu desejo para mim e aquilo que é apenas desejo do meu coração. Em nome de Jesus, amém!

Qual o seu chamado?


Muitas vezes o “chamado” é ligado ao trabalho que exercem, principalmente se for relacionado à igreja. Mas saiba, a maioria das vezes que a Bíblia se refere a “chamado”, esse é um chamado à Cristo.

E esse é um chamado ao retorno àquilo para o qual você foi criado. O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus e essa imagem foi distorcida em Adão, na queda. Jesus veio para revelar o Pai. E recolocar uma imagem, um modelo a ser seguido e imitado. Você é chamado a viver em Cristo, revelando a Jesus, para a Glória de Deus. 

Sim, somos chamados a viver para a glória de Deus! Afinal, esse é o motivo pelo qual fomos criados primeiramente. 

Amar a Deus e ao próximo

Para cumprir o chamado de viver para a glória de Deus é preciso responder em obediência ao primeiro e segundo mandamentos. Amando a Deus de todo o coração, alma, entendimento e forças e amando o próximo como a nós mesmos. Cumprir o segundo mandamento é proporcionar ao outro aquilo que nós proporcionamos a nós mesmos. Empatia, que acontece quando você entende que o seu próximo é um ser humano que caiu e necessita da graça, assim como você. E apesar de talvez ter dificuldades com algumas atitudes ou com a personalidade do seu próximo, você deve estar ciente de que ele é tão ser humano e tão falho quanto você. Assim, você conseguirá observar sua humanidade, sem ser indiferente.


ORAÇÃO: Pai, obrigado(a) por ter se revelado a mim e permitido que eu pudesse me achegar a Ti e te conhecer. Eu quero responder ao teu chamado e viver uma vida dedicada a me relacionar contigo e imprimir Seu caráter em mim. Que desse lugar de relacionamento, minha vida possa glorificar a Ti todos os dias conforme eu ando contigo e amo meu irmão. Amém!