A amarelinha você já conhece bem. Originária da China, a
soja chegou ganhando espaço privilegiado na nossa agricultura. Agora é a vez de
uma nova integrante da família se sedimentar por aqui. Como a prima, a versão
preta apresenta suas credenciais: é repleta de proteína, rica em isoflavona,
hormônio vegetal que regula os problemas da menopausa, e excelente na fixação
de cálcio, dando uma força ao esqueleto.
Se por dentro elas são tão parecidas, inclusive na cor, é
justamente no aspecto externo que está o segredo dessa recém-chegada. Estudo
feito na Universidade Católica da Coreia do Sul mostra que as antocianinas,
substancias presentes na casca da soja preta( e responsáveis por essa
coloração), inibem o armazenamento de gordura no corpo porque impedem a
proliferação de células do tecido adiposo. E o pacote no quesito seca -barriga
não poderia ser mais completo, já que, em qualquer das variedades do grão, a
alta concentração de proteínas e fibras proporciona uma rápida sensação de
saciedade, fazendo com que a pessoa coma menos.
O autor da pesquisa coreana revela mais um ponto em favor do
invólucro escuro: ! A antocianina reduz a gordura no sangue", conta Hye -
Kyeong Kim, do Departamento de Ciências da Nutrição da instituição. " Como
os níveis elevados de lipídios Têm relação com a resistência à insulina, isso
sugere que ela tenha um efeito anti diabético". Mais uma vez, fatores
internos se associam nessa tarefa, como explica José Marcos Gontijo Mandarino,
químico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária ( Embrapa), no Paraná: !
Seja na preta, seja na amarela, as fibras da leguminosa agem como uma esponja,
retendo a glicose ingerida de outros alimentos".
Como a capa escura, a soja parece uma heroína incansável.
Não bastasse ter também fator antioxidante, combatendo os radicais livres e
seus efeitos no envelhecimento, a antocianina dá mostras de ser capaz até de destruir tumores, em um processo no
qual o aglomerado de células malignas se auto aniquila. A noticia vem de outro
trabalho da mesma universidade coreana, desta vez no Departamento de
Bioquímica. "Ela interfere em agentes que promovem a autofagia das células
com câncer e pode ser usada em terapias contra esse mal", conclui Yung -
Jeong Choe, responsável pela investigação.
Na Coreia do Sul, de onde saem tantas boas -novas sobre a
soja preta, ela faz parte do cardápio o dia a dia, combinada com o arroz. Dela
é feito também o tradicional tofu, ingrediente de lanches e saladas. No Brasil,
a variedade ainda é pouca conhecida, aparecendo geralmente em forma de farinha
nas prateleiras de produtos importados.
Mas esse cenário deve se alterar em poucos anos, a julgar
pelo empenho da Empresa de Agropecuária de Minas Gerais (Empamig) em
desenvolver uma variante do vegetal que conquiste de vez o paladar
brasileiro."A cultura da soja no nosso país foi iniciada com foco na
produção de óleo, sem que houvesse a preocupação de incentivar o consumo de
grãos. Só que isso está mudando", garante Ana Cristina Juhász, doutora em
genética e melhoramento vegetal da Empamig, "A planta que estamos
cultivando é mais macia e a casca não se solta com facilidade".
O incremento desse item em uma dieta balanceada será motivo
para comemoração. "Se formos comparar com outras leguminosas, a soja chega
a ter o dobro de proteínas vegetal, de alto valor biológico", avalia
Durval Ribas Filho, medico e presidente da Associação Brasileira de Nutróloga.
A ideia, portanto, é que logo esses grãos pretos disputem a
preferência na composição de pratos que usualmente levam feijão. grão-de-bico
ou lentilha. Sem jamais abrir mão de sua valiosa casca, é claro.
Rica em proteínas e polissacarídeos, a soja preta já é usada
na formula de antirrugas e clareadores faciais na Coreia do Sul e outros países
asiáticos. Pesquisa realizada na China usou o broto da espécie para extrair as
substancias. "E que ele tem mais ingredientes ativos com atividades
antioxidantes do que asa semente", diz Shaomin Wel, autor da pesquisa e
engenheiro químico desenvolvedor de produtos da industrias Shanghai Jahwa.
Boa substituição
em valores médios, a soja bate o feijão na concentração
de proteínas e cálcio
Soja feijão
Preto
Carboidratos 34% 57% Lipídios 25%
1% Proteínas
38%
23% Cálcio 230( 100g) 150,74(
100g)

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